Redução da Taxa de Importação de Pneus: um tiro no pé!

22/01/2021 - 13:47:50

Esta semana a APABOR foi surpreendida com uma declaração do Governo Federal de que reduziria a taxa de importação dos Pneus de Carga (dos atuais 16% para 0%) com o objetivo de contribuir para a redução dos custos operacionais do transporte rodoviário de cargas no Brasil. 

Nesta quinta-feira, em reunião do Comitê Executivo de Gestão (Gecex) – núcleo colegiado da Camex – foi aprovada a alteração da alíquota. (veja mais).

O anúncio, em tese, teria sido motivado pelo descontentamento da classe dos caminhoneiros com relação as medidas de apoio do governo ao setor. Contudo, nos cabe esclarecer, que tal medida não só não resolve o problema dos caminhoneiros, como de quebra, dá um “tiro no pé” da Cadeia Produtiva Brasileira da Borracha Natural com possíveis impactos em todos os elos, principalmente o mais vulnerável de todos: o Elo do Produtor Rural (seringueiros e seringalistas).

Para entender esta linha de raciocínio, vale o registro de alguns importantes pontos. 

Mas antes, destaque para as ações que a APABOR, APROB, COOPEBORES e HEVEACOOP colocaram em prática por meio da sua representação Federal, a ABRABOR, para tentar conter este erro, com reuniões em Brasília com todos os Ministérios pertinentes e apresentação de Ofícios a todos os mandatários de importância na matéria. 

LEIA NA ÍNTEGRA O OFÍCIO REDIGIDO PELA ABRABOR

Tal gestão foi feita em alinhamento com outras entidades da Cadeia Produtiva como a ANIP e a ABIARB. Para nosso pesar, mesmo com todos os esforços, o governo seguiu com a diretiva da redução. 

Vamos aos fatos: Porque a redução não resolve o problema dos caminhoneiros?

É patente que a situação difícil que vive o setor de transportes no país não será resolvida com redução da taxa de importação de pneus de carga. Isso porque, em tese, nem mesmo a alta dos preços dos pneus será aplacada com essa redução.  

Para entender esta afirmação temos que ter claro qual a origem do atual processo inflacionário nos produtos pneumáticos. Esta, esta relacionada a disrupções na produção de diversos insumos (dentre os mais de 200 tipos de insumos necessários para fabricação de pneus). 

Estas disrupções, causadas pela pandemia, recentemente atingiram também a logística marítima triplicando os valores de frete em um cenário de total escassez de capacidade logística no transporte marítimo internacional. 

Isto posto, temos de ressaltar que a importação de pneus hoje é uma estratégia fadada ao fracasso pois lhe faltam condições estruturais para ser uma alternativa eficiente. 

O Brasil conta com uma indústria nacional muito bem estruturada e capaz de atender a demanda nacional e por isso concluímos: o país esta apostando no cavalo errado quando busca estimular a importação para resolver a situação inflacionária do setor pneumático.
 

 Em contrapartida, deveríamos estar apoiando a Industria Nacional, desonerando, fomentando mercado e não o contrário. Estamos penalizando quem mais poderia nos ajudar. 

Como demonstrado no estudo da MBAgro de 2019 o pneu Brasileiro já sofre grande perda de desvantagem devido ao custo Brasil.



Segundo o estudo, o custo de produção de pneus brasileiro é maior, mesmo em comparação com países desenvolvidos como os EUA, Japão e União Europeia. Na comparação com a China o país tem um custo 33% superior.

Colocar mais obstáculos a produção nacional de pneus em última instância é um convite as Indústrias Nacionais a migrarem suas produções para outros países, situação que já ocorre em diversos setores, inclusive o pneumático.

Assim, estamos em claro desalinhamento com a prosperidade da indústria nacional. A estratégia do Governo Federal, não só é inócua como também prejudicial ao passo que penaliza nossa melhor alternativa para a solução da questão colocando em risco não só o Elo Industrial de nossa Cadeia mas toda uma estrutura produtiva que dela depende. Um verdadeiro tiro no pé.

Impactos sob toda a Cadeia Produtiva

A medida penaliza a Cadeia Produtiva como um todo. Reduzir a competitividade da produção nacional é ao mesmo tempo um risco de redução de demanda e desarticulação da liquidez, ou seja, da comercialização, de todos os insumos produzidos localmente para esta indústria, dentre eles, nossa Borracha Natural.

Em última instância estamos penalizando uma Cadeia que movimenta 29 bilhões de reais todos os anos e gera mais de 120 mil empregos para privilegiar a geração de empregos e renda fora de nosso país.
 




 

Como toda Cadeia Produtiva é inerente o fato de que ao penalizar a ponta se prejudica igualmente a base, ou seja, penalizar a Industria de Pneus brasileira é também penalizar seringueiros, seringalistas e Usinas de Beneficiamento.

Uma menor demanda local pelo nosso produto pode levar a aumentos de estoque e redução na liquidez e comercio da matéria prima no campo.

Até mesmo os próprios caminhoneiros que atuam fornecendo logística para o setor serão impactados.

QUESTÃO AMBIENTAL.

Se não fosse suficiente os argumentos aqui apresentados temos ainda que somar a tragédia da estratégia atual do governo a questão ambiental.

Isto porque, se por um lado a Industria Nacional, esbanja eficiência na aplicação da logística reversa, com a correta destinação dos pneus inservíveis, o Setor de importação ignora a questão.

Em suma, isso quer dizer que, a cada pneu importado no país, aumenta-se o risco de um descarte irregular. Números da própria Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus (ABIDIP) dão conta de que “só no mercado paralelo de autopeças existem entre 4 e 5 milhões de pneus que não são considerados nas estatísticas de reciclagem.”

Mais um ponto positivo para a Industria Nacional que é uma referência mundial neste quesito e que por meio do seu programa de Logistica Reversa, ReciclaANIP, todo ano destina corretamente mais de 50 milhões de pneus. 

CONCLUSÃO.

O Governo Federal tomou uma medida intempestiva e populista. Tentando acenar com uma solução para a categoria dos caminhoneiros, jogou uma pá de cal na Industria e na Cadeia Produtiva da Borracha Natural Nacional.

Em razão das limitações estruturais do comercio internacional (falta de oferta, apagão na logística marítima, descontrole cambial), a medida tende a não gerar nenhuma melhora na situação inflacionária dos pneus de carga mas por outro lado ameaça a sustentabilidade da indústria nacional com sérias consequências para toda a Cadeia Produtiva.

Por fim, estamos acionando nossa representação Federal, a ABRABOR, para que não meça esforços em colaboração as demais entidades do setor para alertar o Governo Federal desta tragédia em esperança de que em tempo, o mal seja desfeito.

Seguimos monitorando e informando o setor conforme se desenrolarem os pleitos. 




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